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Cidadãos globais, ócios nacionais

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Cidadãos globais, ócios nacionais

Mensagem por Admin em Qua Mar 15, 2017 12:13 pm

Temos de viver no mundo que temos, com todas as suas divisões políticas, e não no mundo que desejávamos ter. A melhor maneira de atender aos interesses globais é cumprir as nossas responsabilidades para com as instituições políticas que interessam: aquelas que existem.

No passado mês de Outubro, a primeira-ministra britânica, Theresa May, chocou muitos quando desprezou a ideia de cidadania global. "Se acreditam que são cidadãos do mundo", disse ela, "vocês são cidadãos de lugar nenhum".
 
A sua declaração foi encarada com desdém e alarme nos órgãos de comunicação social financeiros e entre os comentadores liberais. "A forma mais útil de cidadania por estes dias" apontou um analista "é uma que se dedique não apenas ao bem-estar das pessoas do município de Berkshire mas, digamos, de todo o planeta". A The Economist apelidou a declaração como uma viragem "iliberal". Um académico acusou Theresa May de repudiar os valores do Iluminismo e alertou para os "ecos de 1933" presentes no seu discurso.
 
Sei como é um "cidadão global": Vejo um exemplo perfeito de cada vez que passo em frente a um espelho. Cresci num país, vivo noutro e tenho um passaporte dos dois. Escrevo sobre a economia mundial e o meu trabalho leva-me para lugares longínquos. Passo mais tempo a viajar em outros países do que o faço nos dois países que me consideram seu cidadão.
 
A maioria dos meus colegas de trabalho também nasceu no estrangeiro. Devoro notícias internacionais enquanto o meu jornal local fica por abrir na maioria das vezes. Em termos desportivos, não tenho ideia nenhuma sobre o desempenho das minhas equipas locais, mas sou um fã devoto de uma equipa de futebol do outro lado do Atlântico.
 
E, ainda assim, a declaração de May toca num ponto sensível. Contém uma verdade fundamental – uma desconsideração que diz muito sobre como nós (a elite mundial tecnocrática, política e financeira) - nos distanciamos dos nossos compatriotas e perdemos a sua confiança.
 
Comecemos primeiro pelo significado da palavra "cidadão". O dicionário de inglês de Oxford define a palavra como "sujeito legalmente reconhecido de um Estado ou da Commonwealth". Consequentemente, cidadania supõe uma política estabelecida – "de um Estado ou Commonwealth" – da qual uma pessoa é membro. Os países têm esse tipo de constituições, o mundo não.
 
Os apoiantes da cidadania global rapidamente reconhecem que não têm uma definição literal em mente para este conceito. Eles pensam de forma figurativa. As revoluções tecnológicas nas comunicações e a globalização económica aproximaram os cidadãos de diferentes países, argumentam. O mundo diminuiu e temos de actuar tendo em mente as implicações mundiais. Além disso, todos temos identidades múltiplas e sobrepostas. A cidadania global não excluiu – nem precisa – as responsabilidades nacionais ou municipais.
 
Até aqui tudo bem. Mas o que é que os cidadãos globais fazem?
 
Os cidadãos reais têm de interagir e debater com os outros cidadãos numa comunidade política partilhada. Isto significa, por um lado, responsabilizar quem toma as decisões e, por outro, que as pessoas participam na política de forma a moldarem os desfechos políticos. Durante esse processo, as minhas ideias sobre os fins desejáveis e os meios para alcançar isso são confrontados e testados pelos meus concidadãos.
 
Os cidadãos do mundo não têm direitos ou responsabilidades semelhantes. Ninguém é responsável por eles e não há ninguém a quem eles se tenham de justificar. Na melhor das hipóteses, eles formam comunidades com indivíduos com a mesma mentalidade, mas originários de outros países. Os seus homólogos não são cidadãos de toda a parte mas designam-se a si próprios como "cidadãos globais" em outros países.
 
Claro que os cidadãos globais têm acesso aos seus sistemas políticos domésticos para tentarem levar as suas ideias para a frente. Mas os representantes políticos são eleitos para promover os interesses das pessoas que os colocaram naquele lugar. Os governos nacionais devem olhar pelos interesses nacionais. Isto não exclui a possibilidade de os constituintes actuarem no seu próprio interesse ao terem em conta as consequências da acção doméstica para os outros.
 
Mas o que é que acontece quando o bem-estar dos residentes locais entra em conflito com o bem-estar dos estrangeiros – como frequentemente acontece? Não é o desrespeito dos seus compatriotas em tais situações que dá precisamente às apelidadas elites cosmopolitas o seu mau nome?
 
Os cidadãos globais receiam que os interesses comuns globais possam ser prejudicados quando cada governo persegue os seus próprios interesses. Sem dúvida, entre as questões que verdadeiramente preocupam as pessoas estão as mudanças climáticas ou as pandemias. Mas na maioria das áreas económicas – impostos, política comercial, estabilidade financeira, gestão monetária e orçamental – o que faz sentido a partir de uma perspectiva mundial, também faz sentido partir de uma perspectiva doméstica. Os professores de Economia ensinam que os países devem manter as fronteiras económicas abertas, uma regulação prudencial sólida e políticas de pleno emprego, não porque isto é bom para outros países, mas porque estas políticas servem para aumentar o tamanho do bolo económico doméstico.
 
Claro que falhas políticas – por exemplo, o proteccionismo – ocorrem em todas essas áreas. Mas isso reflecte uma governação doméstica pobre, não uma falta de cosmopolitismo. Elas resultam tanto de uma incapacidade das elites para convencerem os constituintes domésticos dos benefícios da alternativa como da sua relutância em fazer ajustamentos para assegurar que todos de facto beneficiem.  
 
Esconderem-se por detrás do cosmopolitismo em tais circunstâncias – quando, por exemplo, incitam a acordos comerciais – é um substituto fraco para vencerem batalhas políticas pelos seus méritos. E desvaloriza a moeda do cosmopolitismo quando verdadeiramente precisamos dela, como no caso da luta contra o aquecimento global.
 
Poucos expuseram as tensões entre as nossas várias identidades – local, nacional e global – de uma forma tão perspicaz como o filósofo Kwame Anthony Appiah. Nesta era de "mudanças planetárias e de interligação entre países", escreveu em resposta à declaração de May, "a necessidade de um sentido de partilha do destino humano nunca foi maior". É difícil discordar.
 
Ainda assim, os cosmopolitas deparam-se frequentemente - como a personagem do livro Os Irmãos Karamázov, de Fiódor Dostoiévski, se deparou - com o facto de que quanto se mais ama a humanidade em geral, menos se ama as pessoas em particular. Os cidadãos globais devem ser cautelosos para que os seus grandes objectivos não se transformem numa desculpa para fugirem aos seus deveres em relação aos seus compatriotas.
 
Temos de viver no mundo que temos, com todas as suas divisões políticas, e não no mundo que desejávamos ter. A melhor maneira de atender aos interesses globais é cumprir as nossas responsabilidades para com as instituições políticas que interessam: aquelas que existem.
 
Dani Rodrik, é professor de Economia Política Internacional na John F. Kennedy School of Government de Harvard, e é o autor do livro Economics Rules: The Rights and Wrongs of the Dismal Science.
 
Copyright: Project Syndicate, 2017.
www.project-syndicate.org
Tradução: Ana Laranjeiro

Dani Rodrik
14 de março de 2017 às 18:05
Negócios

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