Olhar Sines no Futuro
BEM - VINDOS!!!!
Buscar
 
 

Resultados por:
 


Rechercher Busca avançada

Conectar-se

Esqueci minha senha

Palavras chave

Últimos assuntos
Galeria


Setembro 2017
DomSegTerQuaQuiSexSab
     12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Calendário Calendário

Flux RSS


Yahoo! 
MSN 
AOL 
Netvibes 
Bloglines 


Quem está conectado
10 usuários online :: Nenhum usuário registrado, Nenhum Invisível e 10 Visitantes :: 2 Motores de busca

Nenhum

O recorde de usuários online foi de 864 em Sex Fev 03, 2017 11:03 pm

Quem está realmente a ameaçar a Europa?

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Quem está realmente a ameaçar a Europa?

Mensagem por Admin em Qui Mar 23, 2017 11:30 am

Os que se opõem à emigração para a União Europeia (UE) costumam apresentar um ou mais destes quatro argumentos: os imigrantes estão a enfraquecer os valores cristãos, a minar as instituições democráticas liberais, trazem o terrorismo e pesam nos orçamentos públicos. Se estas afirmações fossem verdadeiras, a UE teria justificação - senão obrigação - de fechar as suas fronteiras. Na verdade, nenhuma delas resiste ao escrutínio.

Comecemos pela perda de valores culturais cristãos, que tem ultimamente recebido muita atenção em círculos académicos, políticos e estratégicos. Os opositores à imigração apontam frequentemente para a queda acentuada da percentagem da população europeia que se identifica como cristã - de 66,3% no início do século XX para 25,9% em 2010 -, a qual consideram ser em parte culpa da combinação da elevada imigração dos países de maioria muçulmana e do declínio das taxas de natalidade entre os nativos europeus.

Mas os grupos anti-imigração não apresentaram nenhuma prova empírica significativa para apoiar esta afirmação. De facto, quando olhamos realmente para os dados, as falhas na argumentação tornam-se rapidamente evidentes.

Para começar, ao declínio na percentagem dos cristãos na Europa não corresponde um aumento equivalente na percentagem de muçulmanos. De acordo com a Pew Research, a percentagem muçulmana da população europeia tem crescido a um ritmo de cerca de um ponto percentual por década, de 4% em 1990 para 6% em 2010. Calcula-se que em 2030 os muçulmanos venham a representar apenas 8% população.

De qualquer maneira, os emigrantes que têm como destino a Europa não são todos muçulmanos. Muitos deles, inclusive da África Subsariana e da América Latina, são cristãos. Se acrescentarmos a isso a mudança religiosa entre os europeus "nativos", com muitos a optar por não irem à igreja ou identificarem-se como religiosos, parece claro que as afirmações sobre os imigrantes enfraquecerem o cristianismo na Europa não estão alicerçadas na realidade.

É claro que os opositores à imigração podem argumentar que a ameaça à Europa não é tanto uma questão de religião oficial, como de valores cultivados nas sociedades cristãs da Europa, que sustentam as instituições democráticas liberais. Citando práticas culturais retrógradas - desde a subjugação das mulheres à violência contra as minorias religiosas e sexuais - nos países autocratas e propensos a crises, dos quais os imigrantes frequentemente saem, os seus oponentes argumentam muitas vezes que as pessoas dessas culturas não conseguem integrar-se adequadamente na Europa. De acordo com figuras como a francesa Marine Le Pen, o holandês Geert Wilders e o belga Filip Dewinter, os imigrantes trarão a sua cultura com eles, minando assim as instituições europeias. Mas, mais uma vez, eles não apresentam nenhuma prova convincente para isso; nem estabelecem diferenças entre grupos de imigrantes.

A verdade é que alguns países laicos em desenvolvimento têm os seus próprios valores e instituições democráticos, comparáveis aos da Europa; eles podem simplesmente não ter algumas das oportunidades económicas que a Europa oferece. Mesmo os imigrantes que vêm de países com governos autocráticos e normas culturais problemáticas estão, uma vez na Europa, sob as mesmas normas jurídicas que os europeus. E raramente se candidatam a qualquer cargo político que lhes permita reformular as instituições europeias.

No entanto, segundo as declarações de políticos de direita da Europa, esses imigrantes podem ainda trazer o fundamentalismo religioso com eles, ameaçando os europeus com o terrorismo que está a destruir os seus países de origem. Este também é um argumento falacioso, pois confunde o islão e o terrorismo islâmico.

Na verdade, é muito baixa a percentagem da população muçulmana que simpatiza com o fundamentalismo islâmico radical. Em 2010, havia cerca de 1,6 mil milhões de muçulmanos em todo o mundo; são obviamente muito menos os terroristas islâmicos.

Ainda mais destruidor do argumento dos populistas é o facto de indivíduos que nasceram e cresceram na UE, e não os imigrantes, terem sido em grande parte responsáveis pelos recentes ataques terroristas na Europa. E mesmo eles - muitas vezes autorradicalizados online - não foram necessariamente motivados pela religião, mas mais por ressentimentos em relação à marginalização económica e à estagnação da mobilidade social.

O último argumento comum contra a emigração para a UE é económico. Os inquéritos mostram que a maioria dos europeus acredita que os imigrantes representam um pesado fardo económico, devido a regimes generosos de bem-estar social em muitos países da UE, e contribuem pouco em troca. E quando os imigrantes não estão a viver à custa dos contribuintes, estão a limitar os seus salários e a roubar os seus empregos.

Então, qual é a verdade? Nos primeiros anos após a chegada, a maioria dos imigrantes não paga impostos e depende de serviços públicos. Mas assim que os imigrantes tiverem a oportunidade de se instalar nos seus novos países e de adquirir os conhecimentos e a formação pertinentes, começam a contribuir economicamente.

Para a Europa, onde a população envelhece rapidamente, essas contribuições serão cruciais. Com efeito, a longo prazo, os imigrantes de hoje tornar-se-ão um motor vital de crescimento e fonte de receitas fiscais necessárias para financiar os direitos sociais. Os europeus simplesmente devem estar dispostos a incorrer nos custos de curto prazo para integrar e treinar esses indivíduos.

Ao argumentar para manter as pessoas - especialmente os refugiados que fogem da violência e da perseguição - fora da UE, deve-se pelo menos ter uma argumentação válida. Afinal, fechar as fronteiras aos necessitados é uma resposta extremista e, além disso, uma resposta que vai contra os valores cristãos e europeus que os adversários da imigração afirmam estar a defender. No entanto, nenhum líder ou grupo político anti-imigração conseguiu produzir provas credíveis que apoiem tal resposta. Então, quem é a verdadeira ameaça ao modo de vida europeu?

Simplice A. Asongu é economista chefe no departamento de pesquisa do Instituto Africano de Governança e Desenvolvimento.

( C ) Project Syndicate, 2017

23 DE MARÇO DE 2017
00:00
Simplice A.Asongu
Diário de Notícias

_________________
Cláudio Carneiro


Facebook
avatar
Admin
Admin

Mensagens : 16760
Pontos : 49157
Reputação : 0
Data de inscrição : 07/12/2013
Idade : 30
Localização : Sines

Ver perfil do usuário http://olharsinesnofuturo.criarforum.com.pt

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum