Olhar Sines no Futuro
BEM - VINDOS!!!!
Buscar
 
 

Resultados por:
 


Rechercher Busca avançada

Conectar-se

Esqueci minha senha

Palavras chave

tvi24  

Últimos assuntos
Galeria


Dezembro 2017
DomSegTerQuaQuiSexSab
     12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31      

Calendário Calendário

Flux RSS


Yahoo! 
MSN 
AOL 
Netvibes 
Bloglines 


Quem está conectado
17 usuários online :: Nenhum usuário registrado, Nenhum Invisível e 17 Visitantes :: 2 Motores de busca

Nenhum

O recorde de usuários online foi de 864 em Sex Fev 03, 2017 11:03 pm

Rua com eles

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Rua com eles

Mensagem por Admin em Dom Mar 26, 2017 11:16 am

A escrita de um novo livro tem e vai continuar a levar-me às 28 capitais da UE ao longo deste decisivo ano. Depois da Holanda, temos eleições importantes na Bulgária, na França, na Alemanha e na República Checa, o pedido de saída do Reino Unido, efeitos simétricos dos resgates na Grécia e na Irlanda, manifestações na Roménia e inversões democráticas na Hungria e na Polónia, momentos independentistas em Espanha e incompatibilidades regionais acesas na Bélgica, perceções graves de insegurança no Báltico, instabilidade crónica em Itália, lados sombrios na Dinamarca e na Suécia, interesses pouco mediáticos em Malta, no Luxemburgo ou na Eslováquia, a Croácia e a Eslovénia a fugirem da tremedeira balcânica e o Chipre dividido enquanto vê a Turquia afastar-se fatalmente de Bruxelas. Mas não terá sido sempre em volta de constantes dúvidas existenciais que os europeus se foram integrando, numa cadência natural de ritmos nacionais e de alinhamentos forçados também pelo exterior? O nosso pior defeito tem sido o umbiguismo inebriante, perigoso etnocentrismo militante que nos tira perspectiva, relevância e influência. A melhor celebração que podemos fazer em Roma é evitar cavar este enredo. É verdade que a rocambolesca assinatura do Tratado de Roma teve no âmago a integração económica entre França e Alemanha Ocidental para cimentar uma paz improvável. Mas isso só foi possível porque os americanos se vincularam, como nunca antes, à segurança e estabilidade europeias. É por isto que a história dos últimos 60 anos não pode ser reduzida a uns lirismos romantizados sobre o "projeto europeu", o "sonho dos pais fundadores" ou "solidariedade europeia". Foi muito mais cru, sujo e político do que isso.

Entre a proposta de Ernest Bevin (1947) para se fundar uma aliança transatlântica e a assinatura do Tratado de Washington (1949), um menu de relutâncias dominou Washington, que queria evitar amarras permanentes com a defesa das democracias europeias. Nos anos seguintes, a Guerra da Coreia levou à dupla transformação da NATO, com a criação de uma organização militar permanente e a integração da Alemanha Ocidental, concluindo os EUA a estratégia de tornar inimigos recentes (mais Japão e Itália) em aliados de longa duração. Em 1956, Reino Unido e França decidiram invadir o Egito, em concertação com Israel, sem anteciparem a reação de Eisenhower, que, na véspera da sua reeleição, denunciou a ação unilateral dos dois aliados. A crise do Suez, que coincidiu com a intervenção soviética na Hungria, não levou o Reino Unido nem a França a abandonarem a NATO, mas expôs uma nova divisão ocidental, em que Londres reforçaria a "relação especial" com Washington e Paris consolidaria a aliança com a República Federal Alemã, acelerando a integração comunitária. Seis meses depois seria assinado o Tratado de Roma (1957), criando a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a Agência Atómica Europeia (Euratom), dando início ao processo de integração política na Europa do pós-guerra.

A partir daí tivemos uma sucessão de autonomias estratégicas transatlânticas, com a divergência gaullista no interior da NATO, a ostpolitik alemã e a adesão do Reino Unido às Comunidades Europeias (1972). Mas é o fim da Guerra Fria, em particular o modo como se fez a reunificação alemã, que mostrou como NATO e a Comunidade Europeia cumpriam papéis complementares e decisivos, mesmo sob acusações de anacronismo que visavam a NATO e que, ignorantemente, perduram. Se, em 1949, a fundação da Aliança Atlântica tinha sido condição indispensável à fundação da República Federal Alemã e ao início do processo de integração comunitária, em 1989, a decisão de reunificar a Alemanha, sem pôr em causa a sua permanência na NATO e na Comunidade Europeia, confirmou o vínculo original criado entre a democracia alemã, a aliança ocidental e a integração europeia. Este é o momento fundador da UE que dura até hoje.

Podia continuar pelas guerras balcânicas e o bufo grito do "chegou a hora da Europa" para controlar essa sangria, pelas violentas divisões na guerra no Iraque, pelas receitas para a crise das dívidas soberanas, a oportunidade perdida do TTIP, as respostas ao revisionismo agressivo de Moscovo, a manutenção dos Balcãs no carril da integração, as formas de lidar com a putinização da Turquia, a coordenação dos fluxos migratórios e refugiados, a necessidade de ter uma influência decisiva mas diferente no Norte de África e Médio Oriente, ou de responder ao terrorismo com proporção e firmeza. Tudo isto não se faz certamente sem mínimos de unidade europeia, mas não se faz de todo sem um vínculo sério e estratégico aos EUA. O problema é que nenhum dos dois está hoje garantido e isso põe em causa um equilíbrio multilateral que tem beneficiado as partes. Deste lado, todos os esforços serão poucos para prolongar uma coesão mínima e eficaz.

Feita de altos e baixos, avanços e recuos, a integração europeia não pode ser vendida como uma ilha de fantasia, um oásis funcionalista, um projeto identitário reservado, uma "potência normativa" exemplar. Ou mesmo uma criação "pós-moderna", a qual tem invariavelmente esbarrado na inadaptação a um mundo que permanece moderno, perigoso e agressivamente concorrencial. O umbiguismo e a soberba europeias têm cegado os decisores, esvaziado a natureza política e até tática da integração e respondido mal às angústias de quem cá está ou de quem quer para cá vir. Porque as crises internas e os eventos exteriores são o sangue que corre nas veias da Europa, o que precisamos é de políticos corajosos com senso e perspetiva histórica, não de proclamadores asséticos com horário de trabalho. Por isso, rua com eles e viva a Europa.

26 DE MARÇO DE 2017
00:00
Bernardo Pires de Lima
Diário de Notícias

_________________
Cláudio Carneiro


Facebook
avatar
Admin
Admin

Mensagens : 16760
Pontos : 49157
Reputação : 0
Data de inscrição : 07/12/2013
Idade : 30
Localização : Sines

Ver perfil do usuário http://olharsinesnofuturo.criarforum.com.pt

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum