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ANÁLISE: Como vai ser a economia mundial em 2050?

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ANÁLISE: Como vai ser a economia mundial em 2050?

Mensagem por Admin em Dom Mar 26, 2017 9:18 pm


É a dança das cadeiras nos países com maior crescimento. Até 2050 muito vai mudar - se as políticas também mudarem 

Imagine uma realidade económica em que a Índia é maior do que os Estados Unidos, a China domina 20% do PIB global e a Indonésia é uma das cinco maiores potências mundiais. Em 2050 estes cenários podem bem ser a realidade.

Um relatório da PriceWaterhouseCoopers conclui que os mercados emergentes vão dominar as dez maiores economias mundiais. E as sete maiores economias emergentes vão ser responsáveis por metade do PIB global. Enquanto isso, a Europa (sem Reino Unido) continuará a definhar e vai representar menos de 10% do PIB global.

A economia mundial deverá duplicar de tamanho em 2042, crescendo cerca de 2,6% ao ano entre 2016 e 2050, refere a PwC, num crescimento que será impulsionado por países como a China, o Brasil, a Indonésia, o México, a Rússia e a Turquia (os E7). 

Dança das cadeiras 

Segundo as estimativas do relatório, a China vai continuar a ser a maior economia do mundo mas a estabilidade no ranking ficará por aí. A dança das cadeiras na economia global vai ser a palavra de ordem, com os Estados Unidos a ser ultrapassados pela Índia, que passará a ocupar a segunda posição. A Indonésia vai trocar de posição com o Japão e passará de oitavo para quarto lugar. E a Alemanha desce de quinto para novo, sendo substituída pelo Brasil. 


“Os mercados emergentes vão continuar a ser o motor de crescimento da economia global. Em 2050, as economias do E7 podem ver a peso do seu PIB na economia global de cerca de 35% para 50%”, frisa o relatório. 

Os Estados Unidos e a Europa vão perder terreno para a China, que será responsável por 20% do PIB em 2050, dos 18% atuais. Os Estados Unidos vão cair de 16% do PIB mundial para 12% e a Europa a 27 também sofrerá: de 15% passará para 9%. 


O Vietname é a economia que mais vai crescer, passando do 32º para o 20º lugar nas potências mundiais, um salto de doze posições. E a Nigéria também vai registar um forte crescimento, passando a ocupar a 14ª posição e subindo oito lugares. 

“O Reino Unido tem potencial para ultrapassar o crescimento médio da Europa a 27 assim que se dissipe o impacto do Brexit, apesar do país com maior crescimento da União Europeia ser a Polónia”. 

A PwC analisa as 32 maiores economias do mundo, atualmente responsáveis por 85% do PIB mundial e as projeções são feitas numa perspetiva otimista. 

Ainda assim, a PwC deixa um aviso. “Para conseguir este potencial de crescimento os países emergentes têm de implementar reformas estruturais para melhorar a estabilidade macroeconómica, diversificar as economias além dos recursos naturais nacionais (que é a situação atual) e ainda desenvolver medidas mais efetivas quer a nível político quer a nível judicial”. 

Muitas economias em crescimento dependem de recursos naturais, como o petróleo. Fotografia: D.R. 

E não só: as economias emergentes terão de lidar com as alterações climáticas, caminhando para uma economia neutra em carbono, segundo os termos do Acordo de Paris, desenvolvendo fontes de energia limpa. Há também que evitar a tentação do protecionismo das economias, procurando assegurar que os benefícios da globalização são bem aproveitados em cada país. 

Crescimento à boleia da natalidade


O relatório aponta que a China já ultrapassou os Estados Unidos e que vai manter o primeiro lugar nas maiores economias mundiais, enquanto a Índia ultrapassará os Estados Unidos em 2050. 

Nesse ano, a França já não estará entre as maiores economias do mundo, com o Reino Unido a cair para a 10ª posição. 

Em 2050, seis das sete maiores economias do mundo vão ser dos mercados emergentes, à frente do Reino Unido e da França. Já geografias como o Paquistão e o Egito poderão ultrapassar a Itália e o Canadá, estima a PwC. 

Muitas das economias emergentes serão suportadas pelo rápido crescimento das populações, impulsionado a procura interna e aumentando a força laboral.

“Esta circunstância terá, contudo, de ser compensada com investimento em educação e com a melhoria do racional macroeconómico para assegurar que há empregos suficientes para a população destes países”, avisa a Pwc.
Apesar do crescimento das economias emergentes os salários mais altos continuarão a existir nos países do G7, com exceção, provavelmente, de Itália. Contudo, em 2050, o intervalo será menor. 

A China atingirá o meio do ranking em 2050 mas a Índia continuará no intervalo de baixo – o crescimento populacional pode impulsionar a economia mas o desafio estará sobretudo em subir os rendimentos médios dos trabalhadores. 

Crescimento abranda a partir de 2020


O relatório da PwC estima que a economia mundial continuará a crescer, em média, 3,5% até 2020, altura em que o crescimento abrandará para 2,7% até 2030, caindo para 2,5% na década seguinte e novamente para 2,4% entre 2040 e 2050. 

“Esta situação ocorrerá porque muitas das economias mais evoluídas estão a sofrer um declínio na população ativa, devido ao envelhecimento das populações. Ao mesmo tempo, os mercados emergentes vão manter as taxas de crescimento moderadas enquanto vão amadurecendo”, frisa o relatório. 


A Índia e a Nigéria serão as exceções, mantendo um crescimento acima da média durante mais tempo devido à base muito baixa de onde partem. 

E Portugal?


Portugal passa ao lado do relatório da PwC, sendo apenas referido como exemplo positivo no que diz respeito a políticas relacionadas com as alterações climáticas. Segundo a PwC, “as economias avançadas têm de dar o exemplo” no que diz respeito à descarbonização, um dos grandes desafios das economias emergentes até 2050. 

“Em maio de 2016, Portugal foi unicamente alimentado a energia renovável durante quatro dias e meio, uma situação sem precedentes na Europa”, exemplifica o relatório. 

“Para as economias emergentes é importante que os governos tomem atitudes para alinhar o potencial crescimento económico com desenvolvimento sustentável”, avisa a consultora. 

Cátia Simões 
26.03.2017 / 08:00
Dinheiro Vivo 

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Cláudio Carneiro


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