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Todas as geringonças, as ideologias e as geografias

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Todas as geringonças, as ideologias e as geografias

Mensagem por Admin em Seg Mar 27, 2017 11:18 am

A geringonça que vai governando o país, com o PS no governo, a restante esquerda unida no Parlamento e os socialistas a socorrerem-se da direita quando lhes falha a esquerda não é coisa muito diferente da governação europeia. A ideologia dominante é a mesma, por muito que mudem os protagonistas, por muito que mudem as famílias políticas, por muito que mude a propaganda, por muito que nos digam que se aproximam quando os vemos afastarem-se.

Lá, como cá, navega-se à vista. Lá, como cá, entendem-se na gestão do dia-a-dia e desconversam sobre a estratégia para o futuro. Em que projeto de vida trabalha a geringonça nacional, se nem há conversa sobre o que mais pode influenciar a vida de várias gerações de portugueses? Augusto Santos Silva a lembrar que "as áreas da política externa, da política europeia ou da política de defesa não estão cobertas pelo acordo parlamentar" confirma que só à direita pode haver entendimentos nestas matérias. Jerónimo de Sousa a falar das comemorações dos 60 anos do Tratado de Roma, considerando que se trata de "propaganda ideológica que tem como objetivo dar vida a um processo de integração capitalista que está esgotado", confirma que a CDU nacional está mais longe do PS nesta matéria do que o PS está da CDU alemã.

Está o projeto europeu tão preso por arames como a nossa coligação a que não se pode chamar coligação, porque é só de interesses circunstanciais e apenas para a política interna. Dá-se o caso de essa política estar altamente dependente da soberania que partilhamos com as instituições europeias em Bruxelas e Frankfurt. A fragilidade da posição portuguesa em relação ao projeto europeu também se encontra nesta ambiguidade da política nacional. O consenso para governar faz-se à esquerda, mas o consenso em relação à Europa faz-se à direita.

Numa Europa em que os interesses comuns se estabelecem mais depressa pela proximidade geográfica do que ideológica, as várias velocidades em que os diferentes governos querem caminhar só pode resultar num afastamento ainda maior. É evidente que a direita espanhola prefere estar com os socialistas franceses, portugueses e italianos, ou mesmo com a extrema-esquerda grega, como é evidente que o Sul se transformou num problema eleitoral para os partidos do arco de poder no Centro e Norte da Europa, ameaçados por populismos de direita. Por isso, também ninguém estranha que o socialista Dijsselbloem tenha incluído o discurso populista no seu repertório.

No Leste da Europa, com a Hungria e a Polónia em destaque, crescem os sentimentos nacionalistas de povos que chegaram recentemente à União. Governa-se contrariando o espírito europeu, cerceando liberdades, e ninguém se mostra preocupado com isso. É uma das velocidades que mais adeptos ganha nesta Europa das geografias, a velocidade da marcha-atrás. Anda por isso muito longe da memória, para uma maioria dos eleitores europeus, a Europa que se construiu depois do Tratado de Roma, muito assente na social-democracia e na democracia-cristã, com a esquerda e a direita, sem perderem as suas matrizes ideológicas, a encontrarem consensos para um desenvolvimento social que acompanhasse o desenvolvimento económico.

As geografias ganharam espaço quando as ideologias o perderam, com campos políticos a incorporarem a retórica dos adversários à procura de votos para a eleição seguinte. As conquistas sociais, que fizeram da Europa um exemplo para o mundo, transformaram-se num problema. Como era preciso reganhar competitividade, o valor do trabalho foi desvalorizado. E não, não foi agora com a direita tradicional a ficar mais populista, ou mesmo socialistas como Dijsselbloem com discursos sexistas e xenófobos. A ideologia foi metida na gaveta e a Europa social enfraquecida também pela terceira via de Blair, com um sucesso tal que a imitação de outros partidos socialistas foi quase imediata. Como a esquerda se quis parecer com a direita, acabou por lhe entregar, por muitos anos, o poder na maior parte dos países europeus. E, agora moribundos na Grécia ou em agonia na Espanha, afastados do poder em muitos outros países, os socialistas europeus vivem numa União Europeia totalmente dominada pelo capital. Muito contribuíram para que se chegasse até aqui.

27 DE MARÇO DE 2017
00:00
Paulo Baldaia
Diário de Notícias

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