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A vida privada é uma invenção recente

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A vida privada é uma invenção recente

Mensagem por Admin em Sex Mar 31, 2017 11:22 am

Quando existiam cavalheiros, havia coisas escondidas. O cavalheirismo passou a ser inútil.

Gosto de recordar às minhas vítimas que a vida privada é uma invenção recente, tal como a tintura de iodo. Designo como "as minhas vítimas" um reduzido conjunto de pessoas amáveis que caem no erro de me considerar "um velho simpático" e que, na sua ingenuidade, decidem considerar as minhas opiniões. A ideia de "considerar as minhas opiniões" não me parece muito despropositada num país que emite milhares delas por semana com o propósito de parecer esclarecido – com o resultado que se sabe.

Mas a criação da "vida privada", essa, é ainda mais recente do que a da tintura de iodo. Antigamente, não existia. Havia coisas públicas e havia "coisas escondidas". Se alguma coisa pertencia à esfera do que viria a designar-se por "vida privada", ficava circunscrita, antes disso, ao universo do que se escondia. Eram "coisas escondidas". O espírito actual do mundo, no entanto, descrente das virtudes da civilização "judaico-cristã" (a expressão, ouvi-a pela primeira vez à minha sobrinha Maria Luísa a propósito da sua deambulação "contra os tabus"), acha que tem de haver "transparência". Pois se há transparência deixou de haver "coisas escondidas". Ora, eu tenho uma admiração secreta (nem podia deixar de sê-lo) pelas "coisas escondidas", e a ideia de transparência lembra-me a minha imagem, ao espelho, vestido de roupa interior e pijama, só que exposta ao público.

Com o fim das "coisas escondidas" – o sexo, as economias, os hábitos de higiene, as conversas de maledicência à mesa de família – nasceu esse círculo desfocado a que se convencionou chamar "vida privada". A "vida privada" está ao alcance do olhar do público; simplesmente, o público pode, ou não, conforme lhe for mais conveniente, estar ao corrente.

Quando existiam cavalheiros, existiam "coisas escondidas". Quando se convencionou que o cavalheirismo era uma inutilidade que apenas trazia prejuízos num mundo burguês e comandado pela "transparência" – as "coisas escondidas" passaram a designar-se como "formas de hipocrisia", tal como o fato de banho completo, o pudor e a literatura para todas as idades. Com isso, confesso, desapareceu uma das minhas razões de viver. Quando discuti isto com a minha sobrinha ela anunciou que eu era, afinal, um poço de perversidade – e contemporizador para com várias formas de hipocrisia.

Só o Dr. Paulo (era sábado, e o homem de negócios veio visitar-nos para beber aguardente de Monção) achou a conversa interessante: quis saber se os meus pijamas também tinham sido feitos por medida.

Por António Sousa Homem|00:30
Correio da Manhã

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