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O melhor défice da Democracia

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O melhor défice da Democracia

Mensagem por Admin em Qui Abr 06, 2017 10:33 am

Estamos todos de parabéns! O défice do ano de 2016 atingiu 2.1% do PIB – o melhor défice da democracia, porque os governos de Cavaco Silva, não contam para democracia – o que é motivo de festa para todos os que sempre disseram que os défices têm de ser baixos.

Com um défice de cerca de 3% do PIB (sem contar com o BANIF) em 2015, o ponto de partida do governo Costa foi simpático, mas o esforço este ano foi ainda assim significativo. Foi preciso o estado cortar o investimento público para metade e beneficiar de emissões de dívida baixas do passado que no presente pagam menos juros. As cativações foram severas, mostrando que com vontade e conivência dos sindicatos não há serviço público que não sobreviva com simpáticos cortes. E sobretudo se mostrou que o documento tão badalado que todos os anos se discute e que dá pelo nome de “Orçamento do Estado” é para enganar o Parlamento e os jornais. A execução depois pode ser uma coisa completamente diferente do acordado (o investimento público, por exemplo, era para subir, não para afundar) que ninguém se queixa. Mesmo os que deram o seu aval por causa de medidas que agora estão no Reino da Fantasia.

Olhando aliás para a execução orçamental, poder-se-ia dizer que o défice que iríamos ter se o governo executasse o que o Parlamento aprovou se situaria bem acima dos 3% do PIB. Ainda bem que não fomos atrás daquela loucura e o governo fez bem em dar ouvidos a todos os que avisaram há quase dois anos que o Orçamento de 2016 não era cumprível.

Mas tudo está bem quando acaba bem. O défice está baixo (a dívida subiu mais, mas isso não interessa para nada que a dívida não é para pagar) e vai baixar mais. Tudo isto enquanto se sobem os impostos em coisas inúteis como a gasolina e se baixa nos jantares no restaurante ao mesmo tempo que se garante que as reformas milionárias e os IRS mais altos voltaram a ser repostos. Felizmente as coisas para António Costa correm bem: já prometeu que vai integrar nas contas do estado – perdão, na Função Pública – no mínimo 80 mil trabalhadores (sem concurso, claro).

MICHAEL SEUFERT
06.04.2017 às 7h00
Expresso

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