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Economistas versus a economia

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Economistas versus a economia

Mensagem por Admin em Qui Abr 06, 2017 11:22 am

Virtualmente sem mecanismos macroecnómicos à disposição, o posicionamento padrão são "reformas estruturais". Mas ninguém chega a acordo sobre o que isso acarreta. Entretanto, líderes excêntricos estão a capitalizar o voto dos descontentes. 

Sejamos honestos: ninguém sabe o que é que se está hoje a passar na economia mundial. A recuperação do colapso de 2008 tem sido inesperadamente lenta. Estamos a caminho da completa recuperação ou presos na "estagnação secular"? A globalização está para ir ou para ficar?

Os legisladores não sabem o que fazer. Eles puxam as habituais (e menos habituais) alavancas e nada acontece. Era suposto que com o quantitative easing "a inflação voltasse para o objectivo". Mas não. Era suposto que a contracção orçamental restaurasse a confiança. Mas não. No início de Dezembro, Mark Carney, governador do Banco de Inglaterra, fez um discurso denominado "O espectro do monetarismo". Claro está que era suposto que o monetarismo nos fosse salvar do espectro do keynesianismo!

Virtualmente sem mecanismos macroecnómicos à disposição, o posicionamento padrão são "reformas estruturais". Mas ninguém chega a acordo sobre o que isso acarreta. Entretanto, líderes excêntricos estão a capitalizar o voto dos descontentes. Aparentemente a economia deixou de ser compreendida por aqueles que a deveriam gerir, e a política segue o mesmo caminho.

Antes de 2008, os peritos pensavam ter as coisas sob controlo. Sim, havia uma bolha no mercado imobiliário, mas não era pior, como disse em 2005 a actual líder da Fed, Janet Yellen, do que "um grande buraco na estrada". 

Então por que motivo eles não viram a tempestade? Foi exactamente esta a pergunta feita, em 2008, pela rainha Isabel do Reino Unido a um grupo de economistas. A maior parte deles torceu as mãos. Foi "uma falha da imaginação colectiva de muitas pessoas inteligentes", explicaram. 

Mas alguns economistas apoiaram um divergente – e muito mais condenatório – veredicto, que se focava na forma errada como se lecciona e aprende economia. À maior parte dos estudantes de economia não é exigido o estudo de psicologia, filosofia, história ou política. São alimentados à colher com modelos económicos, baseados em assunções irreais, e testados quanto à capacidade para resolverem equações matemáticas. Nunca lhes são dadas as ferramentas mentais para que possam compreender o panorama geral. 

Isto leva-nos de volta a John Stuart Mill, o grande economista e filósofo do século XIX, que acreditava que ninguém pode ser bom  economista se ele, ou ela, for somente um economista. Para ser rigoroso, a maior parte das disciplinas académicas de economia tornaram-se altamente especializadas depois do tempo de vida de Mill; e, desde o colapso da teologia, nenhum campo de estudo tentou compreender a condição humana como um todo. Mas nenhum ramo da investigação humana se isolou tanto do todo – e das restantes ciências sociais – como a economia.

Isto não se deve ao seu objecto de estudo. Pelo contrário, a forma como ganhamos a vida continua a ocupar uma parte essencial das nossas vidas e pensamentos. A economia – a forma como os mercados funcionam, o porquê de por vezes colapsarem, como estimar adequadamente os custos de um projecto – deveria interessar à maioria das pessoas. De facto, na realidade afasta todos os não conhecedores de modelos formais extravagantes. 

Isto não acontece por a economia privilegiar argumentos lógicos, o que é uma validação essencial para evitar raciocínios errados. O problema real é que a economia está dissociada do comum entendimento sobre como as coisas funcionam ou deveriam funcionar. Os economistas tentam tornar rigoroso aquilo que é vago e estão convencidos que a economia é superior a todas as outras disciplinas, porque a objectividade do dinheiro permite medir as forças históricas de forma exacta em vez de aproximada. 

Sem surpresa, os economistas preferem a imagem da economia como tratando-se de uma máquina. O reputado economista americano, Irving Fisher, construiu uma elaborada máquina hidráulica com bombas e alavancas, o que lhe permitiu demonstrar visualmente como é que os preços de equilíbrio se ajustam no mercado enquanto resposta a mudanças na oferta ou na procura. 

Se se acreditar que as economias são como máquinas, então é provável que se vejam os problemas económicos essencialmente como problemas matemáticos. O estado eficiente da economia, o equilíbrio geral, é uma solução para um sistema de equações simultâneas. Desvios face ao equilíbrio são "fricções", meros "buracos na estrada"; e impedi-los traz resultados pré-determinados e óptimos. Desafortunadamente, as fricções que alteram o estável desempenho das máquinas são os seres humanos. Assim não custa perceber o porquê de os economistas formados por esta perspectiva terem sido seduzidos por modelos financeiros que subentendiam que os bancos tinham virtualmente eliminado o risco. 

Os bons economistas sempre compreenderam que este método apresenta limitações severas. Usam as suas disciplinas como um tipo de higiene mental para se protegeram contra os erros de pensamento grosseiros. John Maynard Keynes avisou os seus estudantes contra o tentar levar "tudo à exactidão". Não existe nenhum modelo formal no seu grande livro "The General Theory of Employment, Interest, and Money". Ele escolheu deixar para outros a formalização matemática, porque queria levar os seus leitores (colegas economistas e não o público em geral) a detectar a "intuição" do que estava a dizer. 

Joseph Schumpeter e Friedrich Hayek, os dois mais famosos economistas austríacos do século passado, também atacaram esta perspectiva da economia como uma máquina. Schumpeter argumentou que uma economia capitalista se desenvolve através da permanente destruição de velhas relações. Para Hayek, o mágico do mercado não passa pela destruição do equilíbrio geral mas sim pela coordenação de planos díspares de incontáveis indivíduos num mundo em que o conhecimento é disperso.

Aquilo que une os grandes economistas, e muitos outros bons, é terem uma educação e perspectiva amplas. Isso dá-lhes acesso a muitas formas diferentes de perceber a economia. Os gigantes das gerações anteriores percebiam de muitas áreas além da economia. Keynes licenciou-se em matemáticas, mas mergulhou nos clássicos (e estudou economia menos de um ano antes de a começar a leccionar). Schumpeter fez o seu doutoramento em direito; Hayek era de direito e ciência política e também estudou filosofia, psicologia e anatomia do cérebro. 

Em contrapartida, os economistas profissionais de hoje praticamente não estudaram nada para lá de economia. Nem sequer lêem os clássicos da sua própria disciplina. A história económica vem, se é que chega a vir, de conjuntos de dados. A filosofia, que poderia ensiná-los acerca dos limites dos métodos económicos, é um livro fechado. A matemática, exigente e sedutora, monopolizou os seus horizontes mentais. Os economistas são os sábios idiotas do nosso tempo.

Robert Skidelsky, membro da Câmara dos Lordes do Reino Unido, é professor emérito de Economia Política na UniversidadedeWarnick.

Copyright: Project Syndicate, 2016.
www.project-syndicate.org

Tradução: David Santiago

Robert Skidelsky 
05 de abril de 2017 às 14:00
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Cláudio Carneiro


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