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A fazer ondas

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A fazer ondas

Mensagem por Admin em Seg Abr 10, 2017 10:46 am

Quando Michael Howard, ex-líder dos conservadores de Theresa May, disse à Sky News que esperava que ela "mostrasse a mesma determinação" em relação a Gibraltar que Margaret Thatcher mostrou quando a Argentina invadiu um grupo de ilhas no Atlântico Sul, a declaração provocou mais ondas do que um navio de guerra. O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, Alfonso Dastis, disse ter ficado "um pouco surpreendido" com os comentários de "um país conhecido pela sua compostura". No Reino Unido, Howard foi acusado de defender a "diplomacia das canhoneiras" - política conduzida com o uso ou ameaça de força militar, um termo associado com os tempos do Império. Na verdade, Howard não disse que o Reino Unido avançaria para a guerra pelo pequeno promontório na costa sul de Espanha, como o próprio Dastis observou. Mas, como político experiente que é, sabia bem qual seria o impacto das suas palavras, e May optou por não se distanciar delas.

Previsivelmente, os tabloides aproveitaram a deixa. Na terça-feira, a primeira página de The Sun recuperou uma das suas mais famosas manchetes anti-UE de 1990, "Up Yours Delors", agora como "Up Yours, Senors" (com a palavra señores [senhores] convenientemente mal escrita).

Os comentários de Howard foram uma resposta ao projeto de diretrizes da UE para as negociações sobre o brexit, que dão a Espanha um veto de facto sobre se um futuro acordo se aplica a Gibraltar. O governo do Reino Unido foi mais diplomático (mas já sem canhoneiras), mas descreveu essa posição como "totalmente inaceitável". Num telefonema ao primeiro-ministro de Gibraltar, May assegurou-lhe que o território - sob o domínio britânico desde 1713 - nunca seria entregue a Espanha contra a vontade do seu povo.

Na verdade, o projeto da UE não diz nada sobre a ligação de um acordo do brexit com a soberania, e Espanha sabe que retomar Gibraltar é uma tarefa difícil mesmo com um governo mais flexível em Londres. Afinal, em 2002, Madrid e Londres mantiveram conversações sobre uma soberania partilhada, ideia promovida pelo então ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Jack Straw. Numa visita a Gibraltar, Straw disse aos habitantes que isso tornaria o território mais estável e próspero. Mas ele foi insultado, apodado de "traidor" e empurrado na rua por multidões irritadas. Um referendo realizado pouco tempo depois em Gibraltar - com 87% de participação - viu 98% dos votantes a rejeitarem a cossoberania. Embora não vinculativo, forçou o Reino Unido a comprometer-se a consultar os gibraltinos no futuro, e levou a mais autonomia governativa. A verdade é que, como Straw salientou ao condenar "o absurdo jingoísmo do séc. XIX" de Howard, a frase "diplomacia de canhoneira" teve origem num incidente que envolveu um original de Gibraltar.

Foi em 1850 que o governo britânico enviou navios da Armada Real para bloquear o Pireu, depois de a Grécia se ter recusado a compensar um súbdito britânico, David Pacifico, cuja casa tinha sido saqueada por uma multidão. Os manifestantes ficaram furiosos com a proibição da queima de uma efígie de Judas Iscariotes, tradicional na Páscoa - imposta pelo governo grego para não ofender um financeiro judeu - e Pacifico foi atacado por ser um proeminente judeu local. Pacifico, de facto, cresceu em Portugal, para onde os seus pais se mudaram pouco tempo depois de se casarem na sinagoga sefardita de Londres; foi cônsul-geral de Portugal em Marrocos e na Grécia. Por vezes era vago em relação às suas origens: a determinada altura afirmou ser cidadão espanhol. Mas em 1850 os benefícios de ser britânico pareciam claros: o país realmente "dominava as ondas", nas palavras da canção patriótica Rule, Britannia! Depois da mediação de França e da Rússia, Pacifico reduziu as suas exigências, e a Grécia pagou. Em Londres, a opinião dividia-se sobre o uso da força, mas o Parlamento aprovou uma moção afirmando o direito dos cidadãos britânicos a pedirem ajuda em qualquer lugar, um princípio no qual os gibraltinos de hoje esperam poder confiar.

Depois dos comentários incendiários de Howard, foi a Espanha que enviou os "canhoneiros", na realidade um barco de patrulha que, segundo Gibraltar, fez uma "incursão ilegal" antes de ser confrontado por um navio britânico. Incidente bastante frequente, uma vez que Espanha reivindica soberania sobre estas águas.

Na semana passada, Peter Hain, que como ministro da Europa de Straw negociou o plano de 2002, pediu ao governo do Reino Unido que considere ressuscitar esse plano. Sob a cossoberania, explicou, o estatuto de Gibraltar seria parecido com o de Andorra (onde o presidente de França e o bispo da Catalunha são "copríncipes"). Enquanto isso, os diplomatas espanhóis observavam "com um regozijo calmo" o embaraço do governo britânico perante as diretrizes da UE, o que pode, no final, servir principalmente como pressão sobre o território para elevar as suas taxas de impostos ultrabaixas.

Espanha e Reino Unido não estão prestes a entrar em guerra, mas este episódio mostra como, na Europa e em outros lugares, as preocupações do século XIX com a força militar e os equilíbrios de poder estão de volta ao primeiro plano.

Jornalista freelance

10 DE ABRIL DE 2017
00:00
Alison Roberts
Diário de Notícias

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Cláudio Carneiro


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