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Poupança dos países líderes e crescimento económico mundial: "muito de uma coisa boa pode fazer mal"...

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Poupança dos países líderes e crescimento económico mundial: "muito de uma coisa boa pode fazer mal"...

Mensagem por Admin em Sex Jun 27, 2014 12:17 pm


Uma alta taxa de poupança não é certamente uma coisa má para a economia. A poupança contribui para o crescimento económico presente e futuro na medida em que seja utilizada em negócios empresariais produtivos ('investimento produtivo') os quais, por sua vez, utilizam esse investimento para introduzir novos produtos e gerar novos empregos. Parafraseando Benjamin Franklin, um dos 'pais fundadores' dos Estados Unidos da América (EUA), "Um tostão poupado é um centavo ganho."

Não obstante as virtudes da poupança, é cada vez mais consensual a ideia de que o 'excesso de poupança global' (e os desequilíbrios registados na sua distribuição em termos mundiais) está intimamente associado a restrições na procura agregada e fraco crescimento económico das principais economias desenvolvidas.

Parece incontestável que a recuperação da crise financeira de 2007-2008 tem sido lenta e fraca nas principais economias desenvolvidas. De acordo com os  dados do Banco Mundial , o crescimento médio anual do produto interno bruto (a preços constantes) no período de 2009-2013 cifrou-se em 0.3%, no Reino Unido (RU), 0.7%, na Alemanha e 2.8%, nos EUA. Estas debilidades no crescimento do RU e dos EUA ocorreram não obstante as políticas monetárias ultra expansionistas adotadas pelos respetivos bancos centrais.

Nos anos que antecederam a crise de 2007-2008, e apesar do forte crescimento económico global, as taxas de juro reais de longo prazo permaneceram surpreendentemente baixas. Após a crise atingiram mesmo valores negativos. As baixas taxas de juro reais são um reflexo do 'excesso de poupança global' ou 'ausência de investimento': existência, em maior quantidade, de poupanças que procuram investimentos produtivos do que investimentos produtivos capazes de utilizar tal poupança. Igualmente reflexo deste 'excesso de poupança' são os desequilíbrios registados a nível mundial: enormes superávites da balança corrente das economias emergentes da Ásia (particularmente, a China), países exportadores de petróleo e diversas economias desenvolvidas (designadamente, a Alemanha). Estas economias tornaram-se fornecedoras líquidas de poupanças ao resto do mundo.

Antes da crise financeira, muito deste 'excesso de poupança global' foi absorvido por países com enormes défices externos, como os EUA (e, também, Portugal), mas não utilizado para investimentos produtivos. Não obstante o fácil acesso a crédito relativamente barato, o investimento fixo, em termos do produto interno bruto, diminuiu. Assim, as poupanças importadas pelos EUA (e Portugal) foram afetas sobretudo à concessão de crédito às famílias e ao Governo. Tal contribuiu sobremaneira para o escalar dos designados 'défices gémeos' (défice externo e défice público) que a crise financeira tornou ainda mais notório e, para alguns países (entre os quais Portugal), insustentável.

A descida relativamente acentuada que ocorreu nos últimos meses nas  taxas de juro associadas às dívidas soberanas  (i.e., das yields das obrigações de tesouro a 10 anos) dos chamados 'países periféricos', designadamente Portugal e Grécia, deveu-se mais a este 'excesso de poupança global' do que a boas práticas e bons comportamentos dos respectivos Governos em matérias de consolidação orçamental e reformas estruturais. Daí existir em Portugal tanto receio dos 'mercados' e se 'apostar' na constituição de  onerosas 'almofadas financeiras' , cujo objetivo essencial é o de tranquilizar os investidores que pensem em emprestar dinheiro a Portugal.

Desta feita, o 'excesso de poupança global' parece ter-se tornado, nas economias desenvolvidas, uma limitação sobre a procura corrente. Mais, como está relacionado com um fraco investimento produtivo, tal implica um lento crescimento no produto de longo prazo. Apesar destas debilidades pré-datarem a crise financeira, esta última exacerbou-as.

Várias possibilidades são propostas por diversos economistas para contornar o problema do 'excesso de poupança global': 1) taxas de juro reais ainda mais negativas -  argumento de Paul Krugman  para uma inflação mais elevada; 2) fortalecer a regulação para combater a 'cultura do prémio' ( bonus culture ) ao nível das grandes organizações (incluindo bancos) que encoraja a gestão para a manipulação do preço das ações via investimento na compra de acções da própria organização (buybacks) em vez de aumentarem o investimento produtivo; 3) facilitar os fluxos de capital para países emergentes e em desenvolvimento onde, potencialmente, possam existir as melhores oportunidades de investimento produtivo; 4) nas economias desenvolvidas, usar o investimento público para facilitar a transição para uma  economia 'verde ', através de uma economia de baixo teor de carbono, mais eficiente a nível de recursos e com maior ênfase nas energias renováveis.

Apesar da 'bondade' destas propostas, não há consensos sobre qual a 'melhor' via.

Na União Europeia, por exemplo, refutou-se recentemente a muito 'atrativa' sugestão de Krugman. Apesar deste afirmar que para os países periféricos uma taxa de inflação muito baixa em toda a Europa dificulta o ganho competitividade através de um ajustamento real dos salários, é indiscutível que taxas de inflação mais elevadas prejudicam sobretudo os mais pobres .

A 'cultura do bónus' está de tal forma incrustada nas práticas das grandes organizações e  instituições financeiras , 'beneficiando', frequentemente, da inércia e passividade das autoridades de política e, nos casos mais imorais, de promiscuidade e compadrio com essas mesmas autoridades (presentes ou passadas).

Instabilidade macroeconómica, corrupção e barreiras regulamentares ao investimento direto estrangeiro em economias emergentes/em desenvolvimento continuam hoje em dia a impedir que oportunidades interessantes de investimentos de elevado valor acrescentado privado e social se concretizem.

Por fim, são diversos os obstáculos à transição para a economia verde, para além dos interesses geopolíticos ao nível mundial associados à exploração do gás e petróleo, a procura insuficiente da inovação verde, a falta de capacidade de inovação, a tendência da investigação e investimento para as tecnologias existentes e a falta de financiamento constituem importantes inibidores.

Não obstante a solução para o problema do 'excesso de poupança global' ficar em aberto, é importante reter que "[s]oluções temporárias muitas vezes tornam-se problemas permanentes" (Craig Bruce).

Aurota teixeira |
4:02 Sexta feira, 27 de junho de 2014
Expresso

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Cláudio Carneiro


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