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Opinião – Onde há fumo há fogo?

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Opinião – Onde há fumo há fogo?

Mensagem por Admin em Sex Jan 30, 2015 5:48 pm

Bruno Paixão 

A crença popular não costuma ser tão benevolente com este provérbio que chamei para o título, nem o coloca na forma interrogativa. Mas a razão nem sempre faz a vontade ao povo, como se verifica em vários escândalos que têm irrompido na cena política nacional, onde por vezes se comprova que o vilão está afinal inocente.

Não me refiro aos casos em que a Justiça não arranjou provas suficientes para a condenação, mas sim àqueles em que objetivamente se demonstrou a inocência.

Tomo um caso como exemplo. O ministro do PSD Braga de Macedo tinha uma herdade no Alentejo, conhecida por Monte dos Frades. Entre 1992 e 1993, surgiram notícias dando conta de alegadas irregularidades na obtenção de subsídios comunitários a fundo perdido. A erosão causada pelos media levou-o à demissão.

Mas o caso só viria a ser encerrado em fevereiro de 2000. O Tribunal da Relação de Lisboa deu-lhe razão, condenando Paulo Portas, ex-diretor d’O Independente, bem como outros jornalistas e o próprio jornal, ao pagamento de uma indemnização. Vários jornalistas reconheceram que foram retratadas situações que não correspondiam à realidade dos factos, e que tal se deveu a informações erradas recolhidas de fontes em que de boa-fé confiaram no decurso da investigação. Mas era tarde, pois a reputação já estava manchada.

Na contemporaneidade os escândalos dependem dos media. São estes que transportam para a luz do dia aquilo que permanecia oculto ou confinado a uma esfera muito restrita. Contudo, nem sempre um escândalo depende da ocorrência de uma transgressão, pois é bastante a suspeita, autêntica ou ficcionada, tornada pública, para desencadear o escândalo.

A avidez de dar notícias ao público e de as divulgar antes da concorrência tem contribuído para o despoletar de casos escandalosos. Ainda que mais tarde se revelem infundados. Recordo um artigo de opinião de Vasco Pulido Valente, em maio de 1998, em que este satirizava os transmissores de boatos, referindo-se a Manuela Ferreira Leite que, enquanto deputada, insinuara favorecimentos do primeiro-ministro António Guterres ao cunhado.

Pulido Valente criticou a propagação do boato sem provas, acrescentando que hoje em dia “os portugueses assistem com tranquilidade e prazer à execução de um indivíduo por motivos de puro expediente político e ligeireza jornalística”.

Os escândalos políticos são muitas vezes contados como uma encenação teatral onde o ator é um vilão e tem como cenário uma prevaricação reprovável. As ações vão sendo descritas durante o ato, com pormenores que prendem o público à peça. O ponto é claro. Os escândalos atraem a atenção, ajudam a vender jornais e aumentam as audiências dos canais de televisão. Neste contexto, o escândalo converteu-se num show, encenado, alimentado e relatado.

Perante o tribunal dos media, os protagonistas da notícia são lançados à fogueira, sem possibilidade de defesa proporcional. A pressa de dar a notícia, a forte concorrência e a dependência de fontes que a coberto de anonimato vão deitando na boca dos media informações a conta-gotas, fecham espaço à serenidade e à correspondente responsabilidade social que assiste aos jornalistas.

Em tempos onde a voracidade mediática mostra escândalos de encher o olho, na incapacidade de se aplicar em todos os casos uma “justiça justa”, cumpre-nos sempre refletir sobre se preferimos a absolvição de um culpado ou a condenação de um inocente.

30 Janeiro, 2015 at 10:45
Diário as Beiras

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Cláudio Carneiro


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