Olhar Sines no Futuro
BEM - VINDOS!!!!
Buscar
 
 

Resultados por:
 


Rechercher Busca avançada

Conectar-se

Esqueci minha senha

Palavras chave

cmtv  cais  tvi24  

Últimos assuntos
Galeria


Janeiro 2018
DomSegTerQuaQuiSexSab
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031   

Calendário Calendário

Flux RSS


Yahoo! 
MSN 
AOL 
Netvibes 
Bloglines 


Quem está conectado
7 usuários online :: Nenhum usuário registrado, Nenhum Invisível e 7 Visitantes :: 2 Motores de busca

Nenhum

O recorde de usuários online foi de 864 em Sex Fev 03, 2017 11:03 pm

Portos do futuro

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Portos do futuro

Mensagem por Admin em Qua Fev 26, 2014 11:22 pm

                                            


Dois especialistas do sector marítimo-portuário foram convidados pela Logistel para fornecer perspectivas sobre as tendências de evolução do papel das autoridades portuárias e dos portos em geral, bem como para dar a conhecer o desenvolvimento da rede europeia de clusters marítimos

A governação portuária tem tido, ao longo dos tempos, forte influência do poder público, podendo distinguir-se três tipos de tradições, consoante as zonas geográficas. Na região hanseática a gestão é normalmente de tipo local/municipal, nos países latinos assiste-se a uma forte influência do governo central, e nos países anglo-saxónicos a tendência é para a existência de portos de gestão privada. 

O papel das autoridades portuárias tem evoluído de uma posição de influência e prestígio dentro da comunidade portuária e na vida política até ao questionamento da sua necessidade, de acordo com Patrick Verhoeven, secretário-geral da ESPO - Organização Europeia de Portos Marítimos, baseando-se em Richard Goss, 1990. Várias são as tentativas de reformá-lo e nota-se crescente interesse pelo tema por parte dos investigadores.

Também o conceito de porto tem sofrido alterações. Os portos deixaram de ser o elemento determinante para passarem a ser mais um elo da cadeia logística. A sua competitividade depende em grande parte de factores externos e o seu papel está sujeito a políticas públicas e à influência de um ambiente cada vez mais complexo e incerto. A par, as sociedades pós-modernas deixaram de valorizar a sua importância. De alguma forma, e como referiu Patrick Verhoeven, os portos deixaram de ser «criadores de tendências» para passarem a ser «seguidores de tendências».

Três tipos de stakeholders exercem crescente pressão sobre os portos. Os agentes de mercado, como os carregadores, os operadores dos terminais e os operadores logísticos; o Governo; e os grupos de interesse da sociedade, como as Organizações Não Governamentais, os sindicatos, as comunidades locais e os cidadãos individuais.

Face ao actual contexto, qual pode ser o papel das autoridades portuárias? Patrick Verhoeven, baseando-se em estudos de 2000 coordenados por Heaver, apresentou três opções: As autoridades portuárias tornam-se parceiros totalmente envolvidos na cadeia logística; asseguram sobretudo um papel de suporte em áreas como a segurança, a gestão da utilização do espaço portuário e seu concessionamento; ou desaparecem.

Revisão das funções tradicionais


A principal função das autoridades portuárias contemporâneas é a de senhorio, conhecida internacionalmente como landlord. Neste âmbito, os maiores desafios que se lhes colocam são a pressão competitiva para investir em infra-estrutura, a pressão financeira em termos de investimentos, e a competição pelo uso do espaço portuário.

Outra função inerente ao termo é a de regulador, a qual tende a ser reforçada na sequência do aumento do enfoque nas externalidades negativas. Esta função parece estar menos sob pressão, segundo Patrick Verhoeven, ainda que não seja de esquecer que a autoridade portuária não é apenas um regulador e que entidades governamentais de âmbito regional ou nacional podem ocupar este papel.

A terceira função tradicional das autoridades portuárias é a de operador. Inclui, entre outros, serviços técnicos prestados às embarcações e serviços de manuseamento de carga, os quais estão privatizados na maioria dos grandes portos da União Europeia. Como tal, referiu o orador, as autoridades portuárias tendem a voltar-se para as funções de reguladores e de proprietários, aproximando-se do modelo de senhorio (landlord).

Por sua vez, os operadores de terminais têm um poder crescente e a opção estratégica das autoridades portuárias tem sido a política de concessões. Ainda que um papel mais empreendedor não esteja excluído.

Patrick Verhoeven sugeriu um novo papel funcional para as autoridades portuárias: o de gestor da comunidade. A sua dimensão económica seria o conjunto variável formado por operadores e clientes, enquanto a sua dimensão social seria a gestão dos conflitos de interesses entre as partes envolvidas. Trata-se sobretudo de uma função de coordenação, resolvendo problemas relacionados com a acção colectiva, mediando conflitos de interesse e defendendo a «licença para operar».

Motivos para o renascimento


Patrick Verhoeven considerou existirem alguns factores de governação que influenciam o renascimento das autoridades portuárias, exemplificando com o equilíbrio de poder com os governos. Na medida em que por vezes existem objectivos em conflito entre ambas as partes e é difícil evitar a influência política em muitas autoridades portuárias.

A rede legal e estatutária determina a autonomia comercial, de gestão e financeira, tal como a capacidade de implementar regras locais, a propriedade do espaço portuário e a capacidade para o obter, gerir e explorar. Determina, ainda, o envolvimento nas parcerias fora do perímetro do porto.

A rede legal muitas vezes resulta de lutas de poder e é frequentemente fonte de ineficácia, segundo o autor, que defendeu o aumento de legislação a nível comunitário, pelo seu potencial para pôr no terreno uma rede legal mais independente.

Neste equilíbrio de poderes entre o poder político e as autoridades portuárias, a capacidade financeira é um factor chave na prática, estando sujeito a potenciais conflitos entre a autonomia financeira e a aceitação de subsídios, a política de preços e a neutralidade. 

Por sua vez, a cultura de gestão tende a alterar-se de um estilo de gestão política para um de gestão tecnocrática, no quadro das estruturas formais existentes.

Tendências nos clusters marítimos


Os clusters marítimos abrangem os sectores marítimos tradicionais, as pescas e o turismo e actividades de recreio relacionadas com a costa e o mar. Alfons Guinier, secretário-geral da ECSA - Associação Europeia de Armadores, começou por defender a forte posição do cluster marítimo europeu.

Alguns dados ilustram este poder: os portos europeus manuseiam quase um quarto do comércio marítimo mundial e os armadores europeus controlam quase 40% da frota mundial. A Europa é o principal destino turístico do mundo, com o turismo costeiro a funcionar como um dos principais pólos de atracção. Outras actividades relacionadas com o mar em que a Europa detém peso considerável são a construção naval, a dragagem, a extracção de petróleo e gás, as energias renováveis, a investigação marítima, a navegação em águas interiores, as pescas e a marinha.

O valor do sector marítimo europeu é relevante. Considerando a União Europeia e a Noruega, este representa directa e indirectamente 186,6 mil milhões de euros e emprega 4,78 milhões de pessoas. Só em Portugal são 171 mil.

Não obstante o seu peso, a consciência pública da importância do transporte marítimo parece estar a diminuir, na opinião de Alfons Guinier, o que se pode justificar pelo afastamento das cidades dos portos e das indústrias e serviços relacionadas, por motivos práticos e de segurança. Este reconhecimento limitado tem consequências negativas, que se traduzem em dificuldades de recrutamento e diminuição das iniciativas e políticas governamentais.   

A par, o sector defronta-se com problemas vários, relacionados com o envelhecimento das frotas pesqueiras, a competição crescente no sector do turismo e a ameaça da transferência dos centros marítimos globais, que afecta o sector da navegação.

Por sua vez, as frotas europeias têm vindo a perder o seu peso global. De meados dos anos 80 ao final da década de 90, reduziram o seu peso de 29,7% para 15,4%. A contratação de marinheiros diminuiu 45%, sendo os maiores problemas os regimes fiscais e os custos do emprego.

Nova estratégia marítima


Actualmente, o transporte marítimo é global, dos capitais, às trocas que se fazem de forma liberalizada a nível mundial e mesmo à legislação relativa à segurança, trabalho e responsabilidade. Em 1996, a Comissão Europeia lançou um documento estratégico denominado «em direcção a uma nova estratégia marítima». Este reforça o carácter internacional do transporte marítimo e a sua flexibilidade.

Já as regras de apoio estatal ao sector datam de 1997. Os seus objectivos gerais são encorajar que os navios estejam registados em estados-membros, salvaguardar o emprego, preservar o conhecimento marítimo na Comunidade e desenvolver as aptidões marítimas, melhorar a segurança e consolidar ocluster marítimo dos estados-membros.

O documento simplifica os esquemas fiscais para as empresas de navegação europeias, incluindo a taxa sobre a tonelagem, e reduz os impostos sobre os rendimentos e as contribuições para a segurança social para os marinheiros europeus. De referir que em países como Portugal, Suécia e Luxemburgo a taxa sobre a tonelagem está em discussão.

Outras medidas previstas são o reembolso dos custos de repatriamento dos marinheiros europeus e o apoio para formação dos mesmos a bordo. Estão previstas regras gerais para o apoio a reformas (incluindo a privatização), ajudas regionais e serviço público.

Como resultado destas regras de apoio estatal, a quota de mercado da Europa no mercado de navegação mundial aumentou de forma considerável e houve benefícios directos para o cluster marítimo, ao nível dos portos e serviços relacionados, construção, equipamentos, serviços bancários e de seguros, etc.

Por exemplo, os registos de frota na Alemanha aumentaram 201%, entre 1998 e 2007, e no Reino Unido cresceram 350%, entre 2000 e 2006. E aumentou o número de marinheiros oriundos dos estados-membros.
avatar
Admin
Admin

Mensagens : 16761
Pontos : 49160
Reputação : 0
Data de inscrição : 07/12/2013
Idade : 31
Localização : Sines

Ver perfil do usuário http://olharsinesnofuturo.criarforum.com.pt

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum