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Mulheres e crianças europeias: Um retrato da pobreza

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Mulheres e crianças europeias: Um retrato da pobreza

Mensagem por Admin em Ter Dez 08, 2015 11:47 am


Um quarto da população europeia encontra-se em risco de pobreza ou exclusão social. Mais de 120 milhões de pessoas estão prestes a cruzar este limiar numa Europa que se afirma como um pilar de desenvolvimento no mundo. Mas será que os critérios que definem o conceito de pobreza são os mesmos doutros continentes?

"Há 26 milhões de crianças na Europa a viverem na pobreza - há algo que está muito errado."
Uma breve estória sobre diferentes situações de precariedade

Há cerca de mil milhões de pessoas no mundo na situação do André, que ganha menos de um dólar e noventa por dia (cerca de 90 cêntimos de euro). Garantir a alimentação, a água, o alojamento, os cuidados médicos é, nestas circunstâncias, uma luta pela sobrevivência num contexto de pobreza extrema.

Por sua vez, a Ana, o Luís e o Francisco não conseguem assegurar o necessário tendo em conta os custos médios de vida no local onde habitam. É a chamada pobreza relativa. O salário de Ana é 60% inferior à média no seu país. O Luís não ganha dinheiro suficiente para conjugar o pagamento da renda com a compra de alguns alimentos, como a carne. Já o Francisco não consegue arranjar emprego.

São casos que ilustram o risco concreto de exclusão social. A chamada estratégia Europa 2020 pretende resgatar, pelo menos, vinte milhões de pessoas deste quadro.

As mulheres são dos grupos mais afetados

O número de europeus em risco de pobreza e com dificuldades em arranjar emprego aumentou no ano passado. O contexto dos que já se encontravam em situações extremas registou ligeiras melhorias, sobretudo devido à intervenção do Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas mais Carenciadas (FEAD). Há uma maior incidência das dificuldades sobre as mulheres na sequência da crise.


Um quarto das mulheres na União Europeia está na iminência de integrar as estatísticas de exclusão social ou de pobreza. Dominique vive nos arredores de Paris. Trabalhou durante alguns anos como diretora de um centro recreativo. Quando perdeu o emprego, teve de encontrar uma ocupação completamente diferente.

“Durante quatro anos, vivi com 500 euros por mês, do Rendimento Social de Inserção. Pago uma renda de 550 euros por mês por um estúdio de 16 metros quadrados. Recebo 300 euros de ajudas sociais. Depois de pagar as despesas, ficava com um euro por dia”, conta.

Dominique acabou então por arranjar um trabalho temporário como cozinheira numa cantina e supermercado social em Montreuil. O projeto nasceu em 2013 no âmbito da associação Aurore, que ajuda centenas de famílias a obter produtos alimentares a preços mais acessíveis. A responsável Valérie Normand explica que “entre as pessoas que recebemos – são cerca de mil – mais de metade são mulheres. Cerca de 20% são pessoas que trabalham e que têm dificuldades em chegar ao fim do mês. A crise agravou as vulnerabilidades e isso impede que as situações melhorem.”

Dominique ganha perto de 800 euros por mês, cerca de 60% abaixo do nível médio salarial em França. Oito milhões de franceses encontram-se em situação idêntica. Mais de metade são mulheres. Houve um agravamento de risco de pobreza de mais de 2% nos últimos 20 anos neste país. Em Portugal, o índice aumentou mais de 10% durante o mesmo período.

Os últimos dados mostram que 6,7% da população europeia ganha abaixo do denominado limiar da pobreza, que difere de país para país. Na Roménia, por exemplo, é de 103 euros por mês; na Itália, é de 786 e no Luxemburgo, situa-se nos 1600 euros.

A média das despesas públicas relativas à proteção social na União Europeia ronda os 20% do PIB. Bruxelas anuncia a ambição de reforçar essa fasquia para que o caminho da reintegração social, como no caso de Dominique, seja menos penoso.

A pobreza infantil agrava-se desde 2008

Muitas vezes, as crianças são as mais afetadas na espiral do desemprego ou do trabalho precário dos pais, o que pode degenerar em problemas de má nutrição, de abandono escolar, de depressão.

É através dos desenhos que Simon, de 13 anos, expressa algumas emoções que não costuma transmitir. “Nós costumávamos dormir todos no mesmo quarto. Era muito húmido e muito frio. Havia insetos por todo o lado. Fizemos bem em mudar. Agora as coisas estão melhores”, diz-nos.

A introspeção de Simon acentuou-se quando a família, de Sófia, na Bulgária, começou a ter graves problemas financeiros. Os pais pediram ajuda à SAPI, uma associação integrada numa rede de assistência social que os ajudou a mudar de casa, a manter Simon na escola e a lidar com as suas questões relacionais.

Na Bulgária, mais de metade das crianças correm o risco de exclusão social. É uma tendência que se tem agravado na União Europeia. Os fatores em questão: o emprego dos progenitores, a composição da família e as ajudas sociais.

Segundo Douhomir Minev, presidente da rede europeia Anti-Pobreza na Bulgária, “há duas razões fulcrais para a pobreza infantil: a primeira, uma disfunção a nível familiar; a outra, uma disfunção a nível societal, isto é, a ineficácia institucional. Mas, antes de mais, é preciso evitar que os pais caiam numa situação de pobreza.”

Estima-se que, na Europa, haja 26 milhões de crianças em risco de pobreza ou exclusão social. Para Dani Koleva, da Rede Nacional Búlgara para as Crianças, “a Europa corre o risco de perder cidadãos que poderiam vir a contribuir para a economia. A questão da pobreza é que afeta as gerações seguintes, ou seja, a situação na Europa está a piorar. São necessárias medidas reais, com projetos concretos, programas e financiamentos.”

A visão de Jana Hainsworth, secretária geral da Eurochild

euronews: As mulheres constituem uma parte mais vulnerável da sociedade em tempos de crise?

Jana Hainsworth: Há uma grande discriminação de género na Europa e não é apenas no acesso das mulheres ao mercado laboral, nem nas diferenças salariais que são flagrantes. A sociedade tem de entender o que significa o equilíbrio entre géneros. Ainda prevalece a discriminação laboral, porque há uma maior probabilidade de as mulheres interromperem a carreira durante um certo período, porque tradicionalmente se ocupam mais do núcleo familiar. Isso limita a disponibilidade.

euronews: Há realmente mudanças, tendo em conta os cerca de 20 por cento de fundos europeus destinados a esta problemática?

JH: A questão vai muito além dos financiamentos. Tem a ver com a mudança de mentalidades. É claro que a União Europeia tem, e tem tido, um papel muito importante não só na vertente financeira, mas também na implementação de alterações legislativas. Infelizmente, com todo este contexto de austeridade e crise económica, as prioridades dos decisores desviaram-se para outras áreas. Para obter crescimento económico a longo prazo, é necessário voltar a tornar a igualdade entre homens e mulheres numa questão prioritária. Por vezes, até surgem mitos urbanos que denunciam uma dependência de subsídios, por exemplo, que não refletem de todo a realidade. Há mulheres que não conseguem manter um emprego porque têm de cuidar de familiares idosos ou de crianças, ou ainda porque não conseguem apanhar os transportes a tempo porque têm de levar os filhos à escola. As nossas sociedades não estão preparadas para ajudar as pessoas a manter o emprego ao longo do tempo.

euronews: O que é que a pobreza infantil diz sobre a Europa de hoje em dia?

JH: Os números mais significativos dizem respeito aos núcleos familiares onde nenhum dos pais tem emprego. Mas também há muitos casos onde um dos progenitores tem trabalho. Em países como o Reino Unido, uma creche pode levar um terço do orçamento familiar. Sobram dois terços para o alojamento e as outras despesas. É um desafio gigantesco.

euronews: Este contexto está a comprometer uma ou várias gerações?

JH: É necessário investir. O resultado de um investimento agora só vai ser visível daqui a 20 anos. Os políticos são eleitos em mandatos que duram 4/5 anos. Os políticos têm de ter uma visão de longo prazo. Se não investirem agora, as consequências vão repercutir-se não apenas nesta, mas nas próximas gerações também.

euronews: Como fazê-lo, então?

JH: Porque não pensar numa estratégia que envolva os idosos, por exemplo? Há muitas famílias que, na verdade, dependem dos elementos mais velhos, até por questões financeiras. É preciso ter uma perspetiva geral da sociedade e da comunidade. Há muito que passa pelas políticas a nível nacional, mas há também muito que pode ser feito no interior das nossas comunidades.

euronews: Quais têm de ser os objetivos a curto, médio e longo prazos?

JH: Há 26 milhões de crianças a viverem na pobreza, na Europa – há algo que está muito errado. Reduzir os níveis de pobreza tem de ser uma prioridade. Vamos olhar para a questão como um todo e tentar perceber como é que podemos combater a pobreza não só na perspetiva dos rendimentos, mas melhorando também o acesso aos cuidados de saúde, ao alojamento, à educação, ao desporto, aos espaços em comum onde as crianças podem crescer.

07/12 15:59 CET   | updated at 08/12 - 09:14
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Cláudio Carneiro


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