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O “campo da vergonha” fica em França e não é em Calais

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O “campo da vergonha” fica em França e não é em Calais

Mensagem por Admin em Sex Fev 05, 2016 8:01 pm


Já lhe chamaram o “campo da vergonha”. Há cerca de três mil refugiados a viver em condições desumanas junto a Dunquerque, em França. Entre os que vêm ajudar pergunta-se: onde está a Europa?

“Temos de ir buscar cobertores também. Isto é muito leve, não vale a pena” – Françoise Lavoisier prepara a entrega de roupas e cobertores a um campo de refugiados situado em Grande Synthe, nos arredores da cidade de Dunquerque, no norte de França. “Em janeiro de 2015, estavam neste campo entre 60 a 100 pessoas. O número foi aumentando progressivamente para os 2500-3000. E nós temos de nos adaptar também”, conta-nos.

"É inconcebível haver um sítio como este na Europa, no século 21. Não há nada no mundo que se assemelhe a isto."

Mas este processo de adaptação apanhou muita gente de surpresa. Nos últimos meses, multiplicaram-se os refugiados – sobretudo curdos iraquianos – que se instalam num terreno inóspito e pantanoso. Não se pode dizer que a população local esperava que isto acontecesse. As autoridades reforçaram o controlo policial à entrada de um campo que se foi formando sem grandes condições.

No interior, as tendas erguem-se no meio da lama e do lixo. O nome que muitos dão a este sítio é o “campo da vergonha”. Um dos refugiados aqui que escaparam ao grupo Estado Islâmico dizia-nos: “É inconcebível haver um sítio como este na Europa, no século 21. Não há nada no mundo que se assemelhe a isto.”

Os voluntários e as ONG fizeram soar o alarme sobre as condições sanitárias num campo que acolhe maioritariamente refugiados que esperam chegar um dia a solo britânico. As ajudas consistem sobretudo em fornecer roupas e produtos de higiene. Há voluntários que consideram que o governo francês não providencia a assistência necessária porque não quer tornar este campo permanente. “Estamos a fazer aquilo que o Estado devia fazer. Eles deixam que caia tudo sobre os nossos ombros. Não nos cabe a nós, não cabe a esta cidade investir não sei quantos milhões de euros… Nós estamos a substituir o Estado”, considera Françoise.

Um grupo de voluntários britânicos traz tendas do Reino Unido. Mas têm de as ocultar porque não são autorizadas pela polícia, que não quer ver o campo expandir-se ou tornar-se mais definitivo. “Isto são coisas que tivemos de trazer às escondidas. A polícia não nos deixa entrar com isto. Escondemos tudo e agora vamos distribuir”, explicam-nos.

Mas terá de ser noutra parte do campo, uma vez que nesta houve, no dia anterior, um tiroteio. Aparentemente, tratou-se de um ajuste de contas entre grupos rivais. Alguns deles são suspeitos de serem passadores que preparam a travessia.

Marcus vem de Bristol. A primeira vez que entrou aqui foi em dezembro. Entretanto, já fez várias viagens de ida e volta: “Cerca de 80% das pessoas aqui são jovens do sexo masculino. Quando o Daesh conquista um território, os rapazes com mais de 12 anos têm duas opções: ou ficam para lutar ao lado do Daesh ou partem, porque senão são abatidos. Por isso, são os pais a dizer para eles se irem embora. Ainda noutro dia me contaram uma estória destas com dois irmãos de 14 e 15 anos. Foi a mãe que lhes disse para partirem. Por isso é que há tantos telemóveis a carregar pelo campo fora. Eles querem falar com a mãe…”

A empatia dos voluntários não é suficiente. Os Médicos sem Fronteiras denunciam as condições deploráveis deste local. Nas últimas três semanas, foram instalados mais sanitários portáteis. São agora 60 ao todo e ainda 48 chuveiros. Mas estamos a falar de mais de 2500 refugiados. Os médicos voluntários alertam para o ressurgimento de algumas doenças que se tornaram raras em França.

Samuel Hanryon, dos Médicos sem Fronteiras, salienta que “a grande razão por detrás das consultas que damos aqui tem a ver com as condições de vida – infeções respiratórias, constipações, rinites e faringites. Também há vários casos de sarna, que são um reflexo claro das condições de higiene deploráveis em que estas pessoas vivem. Na última semana, uma coisa que nos inquietou muito foi o aparecimento de casos de rubéola, tanto em Calais, como aqui. Vamos ter de lançar uma campanha de vacinação, porque a rubéola é muito contagiosa e, em certas situações, pode mesmo ser mortal.”

Mas há uma solução a caminho. Não muito longe do campo, está a ser construído um novo recinto que vai dispor de 500 tendas aquecidas, eletricidade, instalações sanitárias, cozinhas e espaços de convívio. Acima de tudo, será num terreno seco. Os Médicos sem Fronteiras assumem a grande fatia dos custos: dois milhões de euros. A municipalidade vai pagar 500 mil. Nem o Estado francês, nem a Europa atribuem financiamentos diretos.

“É frustrante que uma ONG internacional – habituada a intervir no estrangeiro em situações de conflito, em catástrofes humanitárias, em epidemias – tenha de assumir a construção de um campo de refugiados para 2500 pessoas em França, um dos países mais ricos do mundo. Parece um pouco surreal”, declara Hanryon.

Damien Carême é o presidente da Câmara de Grande Synthe. Ao mostrar-nos o novo campo no mapa, salienta que tem feito vários esforços para captar ajudas a nível nacional e europeu. Uma coisa é certa: uma das preocupações centrais é não repetir os erros de Calais.

“A mudança para o novo campo vai fazer-se sem a polícia. Não quero meter estas pessoas nas carrinhas da polícia, porque não se trata de uma operação policial. Não é um desmantelamento, é uma mudança. Tanto nós, como as ONG e as associações no terreno, temos de os fazer compreender que é necessário sair porque vão ter condições de vida melhores. E também não quero que existam dois campos nesta cidade. O novo campo está a ser feito para acolher as pessoas que já se encontram no primeiro. Não vai haver possibilidade de escolha. Depois sim, vamos proceder ao desmantelamento e à evacuação de todo o terreno, para o caso de ter ficado alguém. Acho que vamos conseguir passar a mensagem que a mudança é no interesse deles, o objetivo é humanitário”, diz-nos o autarca.

Mas vários refugiados dizem-se preocupados com o que vai acontecer. Hawree chegou há dois meses. Já fez inúmeras tentativas para alcançar o Reino Unido, escondendo-se nos camiões que atravessam o túnel da Mancha. Hawree diz-se assustado com os rumores que correm sobre o futuro campo: mais polícia, mais vigilância, menos liberdade. “O campo vai estar fechado das 7 da noite às 8 da manhã. A polícia não nos vai deixar sair. Mas nós vamos querer sair para tentar chegar ao outro lado. Não viemos até aqui para ficar dentro do campo”, avisa.

Por Nuno Prudêncio
05/02 11:50 CET   | updated at 05/02 - 16:25
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